Micronutrientes Essenciais para Gramas e Gramados

21/07/2025
Autores: Livia Sancinetti Carribeiro - Engenheira Agrônoma, Mestre em Agronomia (Irrigação e Drenagem), Doutora em Agronomia (Irrigação e Drenagem) pela UNESP, Botucatu-SP e Coordenadora Executiva da Associação Nacional Grama Legal e Patrick Luan Ferreira dos Santos - Engenheiro Agrônomo, Mestre em Agronomia (Sistemas de produção) e Doutor em Agronomia (Horticultura), UNESP, Botucatu-SP.

Micronutrientes Essenciais para Gramas e Gramados

Micronutrientes como Ferro (Fe³⁺), Manganês (Mn²⁺), Zinco (Zn²⁺), Cobre (Cu²⁺), Molibdênio (Mo), Boro (B), Cloro (Cl⁻) e Níquel (Ni²⁺) são requeridos em pequenas quantidades pelas plantas de grama, sendo frequentemente negligenciados nos cronogramas de adubação.

Enquanto os macronutrientes possuem uma ampla faixa de suficiência e raramente causam toxicidade, os micronutrientes apresentam estreita margem entre deficiência e excesso, exigindo manejo criterioso.

Apesar de sua baixa exigência quantitativa, os micronutrientes são essenciais para o metabolismo vegetal, participando da constituição ou ativação de enzimas. A deficiência desses elementos compromete o crescimento e o desenvolvimento das plantas. Seus sintomas são, em geral, semelhantes entre si, dificultando o diagnóstico visual, que deve ser confirmado por análises de solo e tecido foliar.


Fatores que afetam a disponibilidade de micronutrientes

pH do solo: Solos alcalinos reduzem a disponibilidade de Cu²⁺, Zn²⁺, Fe²⁺ e Mn²⁺, enquanto solos ácidos ocorre diminuição na disponibilidade de Mo e Cl.

Teor de matéria orgânica (MO): Solos com alto teor de MO podem imobilizar micronutrientes, diminuindo sua absorção.

Drenagem: Solos mal drenados podem apresentar acúmulo tóxico de Cu, Mo e Zn, além de deficiência de Fe e Mn.

Textura: Solos argilosos, naturalmente mais ácidos, favorecem a disponibilidade de cátions micronutrientes.


Ferro (Fe²⁺/Fe³⁺)

Apesar de abundante nos solos brasileiros, sua baixa solubilidade em ambientes alcalinos torna o ferro frequentemente deficiente em gramados. Esse é o micronutriente mais importante para gramados, apresentando severos sintomas visuais caso deficiente.

Mobilidade na planta: Imóvel.

Funções: Participa da síntese de clorofila, manutenção da membrana tilacoide e transporte de elétrons na fotossíntese.

Deficiência: Clorose internerval em folhas jovens, que podem evoluir para coloração esbranquiçada nos estágios avançados. Ocorre com frequência na primavera, após adubação nitrogenada.

Correção: Aplicação foliar de ferro.

Teores adequados:

  • Esmeralda: 180–320 mg/kg
  • Bermudas: 30–400 mg/kg
  • Santo Agostinho: 50–300 mg/kg

Manganês (Mn²⁺)

Requerido em quantidades muito pequenas, o Mn é mais disponível em solos ácidos e mal aerados.

Mobilidade: Imóvel.

Funções: Atua na síntese de clorofila e na fotossíntese, principalmente em folhas jovens.

Deficiência: Clorose internerval semelhante à do Fe, mas com pequenas manchas necróticas.

Teores adequados:

  • Esmeralda: 25–34 mg/kg
  • Bermudas: 25–300 mg/kg
  • Santo Agostinho: 40–250 mg/kg

Zinco (Zn²⁺)

Apesar de presente em folhas de gramados, é necessário em quantidades mínimas.

Mobilidade: Imóvel.

Funções: Atua na estabilidade de enzimas, tolerância a estresses, metabolismo hormonal e fotossíntese.

Deficiência: Atrofia de brotos apicais, folhas pequenas e ressecadas. Em Bermudas, pode ocorrer exsudação estomática branca.

Teores adequados:

  • Esmeralda: 36–55 mg/kg
  • Bermudas: 20–80 mg/kg
  • Santo Agostinho: 20–100 mg/kg

Cobre (Cu²⁺)

Frequentemente indisponível em solos orgânicos ou arenosos com baixa MO.

Mobilidade: Pouco móvel.

Funções: Participa de reações de oxirredução, como a citocromo oxidase e plastocianina.

Deficiência: Atrofia de brotos, coloração azulada nas pontas das folhas e morte progressiva das mesmas.

Teores adequados:

  • Esmeralda: 2–4 mg/kg
  • Bermudas: 5–20 mg/kg
  • Santo Agostinho: 20–100 mg/kg

Boro (B)

Presente como ácido bórico, é fortemente retido em argilas e MO. Sua disponibilidade é influenciada pelo pH, sendo mínima entre pH 8 e 9.

Mobilidade: Imóvel.

Funções: Participa da formação das paredes celulares, transporte de açúcares e metabolismo de nitrogênio.

Deficiência: Atrofia de brotos, crescimento lento, folhas em roseta e clorose internerval.

Teores adequados:

  • Esmeralda: 6–11 mg/kg
  • Bermudas: 6–30 mg/kg
  • Santo Agostinho: 5–10 mg/kg

Cloro (Cl⁻)

Presente como íon livre na solução do solo e pouco exigido.

Mobilidade: Móvel.

Funções: Atua no balanço osmótico, balanço iônico e na fotossíntese.

Deficiência: Rara em gramados.

Molibdênio (Mo)

Disponibilidade limitada em solos ácidos e ricos em óxidos de Fe e Al. Mais disponível em pH alcalino.

Mobilidade: Baixa.

Funções: Cofator de enzimas que reduzem nitrato. Concentra-se em folhas mais velhas.

Deficiência: Clorose internerval em folhas velhas, necrose, murcha e, em casos severos, nanismo.

Correção: Aplicação via foliar ou solo.

Níquel (Ni2+)

O níquel (Ni), embora tradicionalmente classificado como um micronutriente essencial apenas para algumas espécies, vem ganhando relevância também no manejo de gramados, especialmente com o avanço das pesquisas em nutrição vegetal.

Importância do Níquel em Gramados:

  1. Ativação da urease: O níquel é essencial para a ativação da enzima urease, que catalisa a conversão da ureia em amônio, forma assimilável de nitrogênio. Como a ureia é uma das fontes mais comuns de adubação nitrogenada em gramados, o níquel se torna crucial para que essa forma de N seja efetivamente utilizada.
  2. Eficiência do aproveitamento de nitrogênio: A presença adequada de níquel melhora a eficiência do uso da ureia, reduz perdas por volatilização e minimiza o acúmulo de ureia nos tecidos, o que pode causar toxicidade e amarelecimento foliar.
  3. Desenvolvimento radicular e metabolismo secundário: Estudos recentes indicam que o níquel pode influenciar positivamente o crescimento das raízes e a produção de compostos secundários envolvidos na defesa contra patógenos.
  4. Prevenção de toxicidade por ureia: A deficiência de níquel pode levar ao acúmulo de ureia nos tecidos foliares, especialmente em gramados adubados com doses elevadas de N, resultando em clorose e necrose foliar.

Considerações práticas:

Os gramados geralmente requerem níquel em quantidades extremamente baixas (menos de 1 mg/kg na matéria seca).

A análise foliar é o método mais indicado para detectar deficiência.

Fontes comerciais de níquel ainda são pouco utilizadas, mas formulações específicas ou misturas com ureia podem ser alternativas viáveis em gramados de alto desempenho.